Anti-Anti-baixaria

“Já ouvi muitas vezes em Salvador de músicos ou de pessoas próximas a música, e que não são pagodeiros, a indignação com o espaço de mercado, na mídia, e na vida, que tem o ‘pagodão’ em detrimento de outros gêneros de suposta melhor qualidade. E o próprio sucesso do pagode é visto como indicador da regressão cultural em Salvador, e do barbarismo das massas (…)”
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Já faz alguns meses que venho discutindo com diversos amigos (e amigas!), proposto debates a respeito do que ficou popularmente conhecido como “Lei Anti-baixaria”. Para aqueles que não conhecem o projeto, que aliás está para ser votado, o mesmo intenta vetar financiamento público a grupos musicais que supostamente veiculam no seu repertório violência contra a mulher. Guarnecidas pelo óbvio argumento de que violência também se dá no campo simbólico, várias pessoas advogam a necessidade de tal patrulhamento ideológico na cultura. E porque? As razões são “variadas”; no final do ano passado ouvi de uma das integrantes da mesa de um debate sobre esse projeto que determinado bairro da periferia de Salvador apresenta índices alarmantes de violência física contra a mulher, sugerindo naquele contexto uma linha causal entre o gênero musical escutado e as agressões sofridas por mulheres daquela comunidade. Bem, é sabido por todos e constatado em pesquisa encomendada pelo Correio que a predominância de adeptos ao pagode encontra-se nas classes D e E. Não por acaso, as letras atacadas pelas feministas que defendem a promulgação da lei são em sua grande maioria letras pertencentes a esse gênero. Segundo elas, os textos citados não podem sequer ser referidos como música – o que me lembrou de uma não menos infeliz declaração de Daniela Mercury sobre o vocalista de A Bronkka, Igor Kanário (“o príncipe do gueto”), ao dizer que esses meninos do pagode “precisam estudar”. Na ocasião, os finais de cada mensagem reproduzida pela imprensa em resposta dada a Daniela no twitter do cantor eram inundadas de “sic”, reificando que, ao contrário da “rainha”, o príncipe do gueto de fato não sabe escrever na norma da língua portuguesa. De modo mais ou menos sutil, a imprensa disse que Daniela estava coberta de razão: esses rapazes precisam mesmo estudar. O que quero chamar atenção com todo esse embate eminentemente político sobre o que pode ou não ser considerado música é que a “Lei Anti-baixaria”, inclusive com o aval das mulheres que estão à frente dela, consegue – queira ou não – reunir preconceito linguístico, elitismo e preconceito contra o próprio gênero pagode (e aqui eu nem quero falar em racismo). Mas a desqualificação da produção cultural desses meninos é apenas um lado do projeto de lei, que é mais ambicioso. Na fala da autora, a deputada estadual Luiza Maia (PT), foi notável para mim um desejo de moralizar as relações afetivo-sexuais. Para ela consiste num problema a objetificação do corpo da mulher na cultura popular e a “vulgarização da mulher”, “que não é cadela pra dar pra qualquer um”. E aí eu pergunto: mas qual é mesmo o problema em dar para qualquer um? Pergunto ainda quem é essa mulher que sente a sua dignidade ferida, que se sente ofendida com as letras do pagode? Ou, mais precisamente: quem poderá definir precisamente o que se constitui ou não como violência? Por isso me interessa a opinião daquelas que consomem o pagodão, que vão aos shows, que sobem no palco, que provavelmente não foram “iluminadas” pela universidade e que prestam-se àquilo que chamam de vulgaridade ou de auto-desvalorização, porque ser ou estar puta para muitos ainda é descrédito, é desqualificar-se. São opções políticas: em vez de dizer que meu cabelo duro é bom, alguns preferem dizer que meu cabelo não é duro, que meu cabelo é bom. Seja como for, estou um pouco cansado da opinião dessa gente que confessa (para não dizer conclama) com muito orgulho não consumir “esse tipo de música” ou então que adora ressalvar que “não ouço em casa, só na rua”. Cadê a turma pagodeira?
Um outro problema desse projeto é que, a despeito de vãs tentativas em argumentar o contrário, no fundo é uma censura sutil, disfarçada, a começar pelo nome com que ficou popularizado. Nesse sentido ficou muito claro para mim a adesão citada no tal debate de alguns setores da Igreja. Se em verdade o projeto não visa proibir (e sim inibir) a produção e veiculação de músicas com teor supostamente ofensivo contra “a mulher” (aliás, quem são as que têm voz para falar por todas as mulheres?), e sim proibir o financiamento público de grupos que tenham o seu repertório infestado desse tipo de música, isso não parece estar tão claro para a maioria da população que teve acesso ao projeto. O que se vê nas ruas são cartazes, faixas, uma verdadeira CAMPANHA contra essas músicas, produtoras de mulheres nada respeitáveis. Na semana passada uma amiga levou para a mesa de bar um cartaz dessa campanha e o abriu, indicando a contradição manifesta entre a imagem e as palavras. Na foto, uma mulher com a bunda empinada e esbanjando prazer, enquanto um homem apontava na direção de sua bunda a palma da mão como quem a daria um tapa (bem, preciso ressaltar que a face do homem não era de fúria e que portanto o tapa ali não era um tapa para propriamente agredir a mulher). No cartaz, as palavras “Batidão sim, contra a mulher não!”. Ora, é o Estado querendo dizer que esse prazer que ofende ALGUMAS feministas (porque para alguns ser feminista atualmente na Bahia é apoiar a lei), esse prazer sentido por essas mulheres e que envergonha outras, está errado. Incumbido da gestão dos corpos, o Estado quer indicar o modo politicamente correto de sentir prazer, de modo que a mulher que goza com o vocalista objetificando o seu corpo em performance altamente libidinosa é alienada, idiota cultural, é vítima sem o saber, e precisa de um Estado paternalista que a proteja.
Por outro lado, a própria lei é ingênua ao partir desse princípio de estupidez cultural e equivoca-se ao pensar que, como uma máquina que responde aos comandos, as diretrizes das músicas são inculcadas nas nossas mentes, e então a reproduzimos ad infinitum. Para além disso, o projeto de lei parte do pressuposto que o ato de escutar música é uma atitude reflexiva, sendo que, diversas vezes, no envolvimento jocoso com o ritmo-letra, sequer sabemos a nível da consciência o que estamos cantando.
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Eu já disse certa feita e repito aqui: Valesca Popozuda é muito mais inteligente que Luiza Maia. Proibir não é nada subversivo. Respostas criativas aos machos podem ser dadas pela própria produção cultural e não por sua negação, e é justamente por isso que o que eu queria ver por aqui era uma versão baiana de Gaiola das Popozudas, mulheres mais sujeito de prazer que objeto.
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Considerar machista aquele que não é a favor da lei é um modo agressivo e burro de encerrar o debate. É atitude de quem, em vez de querer de fato levar a cabo uma discussão, prefere o conforto monótono de prosear de-si-para-si. Ao meu ver, esse tipo de postura denuncia o viés muito mais doutrinador que verdadeiramente dialógico (e democrático) que certos militantes assumem em suas miradas arrogantes de quem é cheio de verdades e esclarecimento. Ainda que eu tenha me pronunciado no debate que participei e os olhos em brasa das mulheres da mesa me mirassem como a um machista, ainda que um grupo de pessoas tenham me achincalhado ontem no facebook de uma desconhecida, a atitude sincera e opinativa que aprecio para comigo nos meus ativismos é a mesma que mantenho com essa gente, porque opiniões divergentes sempre me instigaram, ao passo em que demasiado simplismo sempre me aborreceu. Como diria Caetano, as coisas são profundas.

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11 Respostas to “Anti-Anti-baixaria”

  1. José Pedro Says:

    “reificando que, ao contrário da “rainha”, o príncipe do gueto de fato não sabe escrever na norma da língua portuguesa”.

    Ratificando, não?

  2. Lucas Jerzy Portela Says:

    Sêo Maycon, eu que já queria escrever sobre essa Lei, é agora mesmo que vou escrever.

    Ela tem um mérito, mas é totalmente colateral: força uma distribuição financeira do estado no campo da cultura (porque contratar pagodão é dar dinheiro pra quem se viraria bem sem verba estatal, e deixar de dar para outras manifestações populares que não).

    Mas, ora, senhores, isso poderia ser feito sem lei nenhuma: Sistema Estadual de Cultura, com seus Conselhos, estão aí. Basta funcionar direito! Controlar o estado pelo comum da multidão e da sociedade civil organizada, e não o contrário. É aliás o que preconiza a Carta Magna de 1988.

    No nível estadual o Conselho de Cultura, apesar de ser ainda de notáveis (como nos tempos de Paulo Souto) e nunta ter tido eleição (coisa que o Conselho de Comunicação, mais novo e controverso, já teve), consegue bem ou mal cumprir o controle social. Resta saber nos municípios, na ponta. Mas num estado em que sequer sua capital tem Secretaria específica na área…

    Escrevo mais lá no Último Baile dos Guermantes até domingo, te prometo. Um cheiro!

    • Maycon Lopes Says:

      Pois é, faz tempo que quero escrever também. Uma discussão no facebook anteontem foi a “gota d’água”. Aguardo sua leitura do projeto de lei, mas essas suas observações já foram importantes…

  3. Bocas do Inferno & Cús de Judas | O Último Baile dos Guermantes Says:

    […] (não resisti…!) Luíza Maia (PT): uma conversa pelo google-talk com Eduardo César e o No Que Tange de […]

  4. Alinne Says:

    Maycon, querido, sempre leio com gosto e atenção teus textos. Gosto da tua escrita; e gosto também de um bom debate. E vejo aqui, bom ensejo de um.

    Discordo da tua argumentação, justamente por usares em teu texto os mesmos artifícios retóricos-maniqueístas que criticas. Para garantir a tua tese, forças a barra na retórica da censura, do patrulhamento ideológico e do poder regulador do Estado sobre os corpos. E sem contar as acusações fáceis de elitismo (e sem falar no racismo, como bem deixas explícito), das feministas. Com isso, perdes o potencial crítico da tua argumentação. Bem sabemos que na dinâmica da vida cotidiana não é assim. Mas o que importa é o debate, vamos a ele.

    Acho que o projeto tem problemas, como o seu nome e o certo elitismo que enseja, como apontas. Mas acho louvável a iniciativa. E por quê? Porque é tão somente mais uma ferramenta disponível neste universo de valores a nos dizer que há formas de feminilidades e masculinidades variantes e que o Estado – antes do seu biopoder sobre os corpos e a vida – tem a responsabilidade em definir os parâmetros de convivência desses mesmos corpos na vida social. Não é isto que pactuamos, quando vivemos em sociedade?

    Regulamentando seu investimento ou não em determinadas convenções de gênero, o Estado nos ensina sobre esse pacto social. Nos diz que – a despeito das idiossincrasias e gostos individuais e das múltiplas expressões culturais – há um parâmetro ético a ser respeitado: o da inviolabilidade dos corpos, o da garantia de liberdade de ir e vir. E isto para mencionar apenas dois dos que menos têm acesso aqueles corpos marcados pela feminilidade.

    Sim, eu tenho convicção de que a música “machuca, machuca (…), passa nela, passa na cara dela (…) Se eu te lombra, eu vou fazer sua mãe chorar; 
Se eu te abater, eu vou fazer sua mãe sofrer; Se eu te jogar, eu vou fazer sua mãe cagar” (Blackstyle), contribui para reafirmar convenções de gênero que associam a masculinidade a uma agressividade viril e a feminilidade a elementos de sua afirmação.

    Se há sujeitxs que se sentem representadxs nessas expressões, que estabeleçam esses pactos de relações, é do campo das suas escolhas. O problema está quando esse modelo de masculinidade e de feminilidade invadem a vida social e tomam de assalto aquelxs que não consentem com tal pacto. E aí entra o Estado, para resguardar a possibilidade de masculinidades e feminilidades variantes.

    Há algo aí – que não é prerrogativa dessas expressões musicais – que manda uma mensagem de degradação, de banalização e de usurpação na forma como mulheres, e corpos que tenham uma expressão de gênero feminina, devam ser tratados. Diz que nós (eu, a Dona Jane do Subúrbio Ferroviário, tu – lembro bem do teu texto sobre a reação dos moços portugueses frente às manifestações de afeto entre tu e teu parceiro, Valesca Popuzada e a deputada Luiza Maia), independentemente das nossas cores, do sexo biológico, das nossas origens sociais e geográficas podemos ser territórios de livre acesso sexual, moral, independentemente das nossas escolhas. Para mim é aí que reside o problema. Quero poder expressar uma feminilidade ou uma masculinidade variante sem ter meu corpo violado, minha liberdade restringida e meu imaginário degradado.

    Mas é óbvio que o pagode baiano não é a encarnação do mal, e tampouco o responsável último dessas mazelas. Na mesma medida em que a Lei Antibaixaria não é a encarnação da censura e do “patrulhamento ideológico cultural”, como hiperbolicamente afirmas. É, tão somente, uma entre outras ferramentas disponíveis, possíveis para participar do embate por formas alternativas de expressão da sexualidade e de possibilidades de expressões de feminilidades e de masculinidades. Reduzir os termos do debate entre os meninos do pagode, pobres e iletrados, e as feministas intelectuais e ricas é perder de vista o que de bom podemos produzir sobre novos parâmetros éticos de cidadania e nossas convenções de Gênero e de sexualidade.

    Centro minha contraargumentação numa ideia muito rudimentar de pacto social, de papel do Estado, de cidadania para fazer frente a algo que venho lendo e ouvindo pelas redes sociais que me tem causado muito desconforto. Como tu, também estou cansada. Mas de outra coisa. Como antropóloga, me incomoda imenso a manipulação da retórica relativista – culturalista. Fico incomodada de ver os abusos no uso do relativismo cultural; ora nada mais conservador (para usar o teu léxico da subversão) do que usar a capa do relativismo para sustentar argumentações da celebração das diferenças. Olhemos para nossa história contemporânea, não tão distante de nós, e lembremos que muitas atitudes e políticas xenófobas se pautam num “viva a diferença! Desde que bem longe nós…”

    Como disse minha querida Joan Scott, não somos nós, xs sujeitxs, que detemos a experiência. Antes, somos constituidxs por ela. Talvez a nossa – minha e tua – experiência de sujeitxs no mundo, com corpos marcados por diferentes significantes de gênero, nos remeta a percepções e valores sobre o mundo talvez incomensuráveis, a despeito de possíveis convergências nas nossas expressões de gênero e das conseqüências de vivenciarmos essas expressões.

    Que as pessoas façam dos seus corpos e de suas vidas o que bem entenderem; mas que suas escolhas não interfiram nas minhas, nas tuas, nas de Dona Jane e de suas filhas e seus netos. Quero poder andar pelas ruas sem estar sob a ameaça do meu corpo-território ser violado e de minha subjetividade aviltada. Que o Estado garanta nossas liberdades e nossas escolhas, para todxs. Independentemente do superável elitismo do projeto de lei e da legitimidade das mais diversas expressões e manifestações culturais; discutamos o que me parece ser o mais urgente: o papel do Estado, a construção da cidadania e o possibilidade de novas e variantes convenções de gênero. Como disse alguns minutos atrás: que viva a democracia e sigamos o bom debate.

  5. José Pedro Says:

    Concordo que o texto é cheio de artifícios retóricos e muitas vezes chega a cometer falácias. “Valesca Popozuda é muito mais inteligente que Luiza Maia”: que ad hominem é esse, pai?

  6. Gizelli Sousa Says:

    Adorei o texto, estava aqui pesquisando um pouco sobre o assunto e achei tudo muito bom, exceto a visão pejorativa das feministas. O feminismo é um movimento plural e aborda assuntos diferentes em diferentes contextos. Nunca vi duas feministas que defendessem as exatas mesmas bandeiras. Talvez as maiores defensoras do projeto sejam feministas, mas as maiores críticas dele também são. Eu sou feminista e ouço Valesca. E conheço muitas outras que entendem a questão classicista que envolve a lei anti-baixaria. Parabéns pelo texto.

  7. Eduardo Says:

    Problemas são mais necessários que soluções, com eles os intelectuais tem o que debater, além disso a verdadeira solução dá muito trabalho e pouco tema para discussão. Incrível o esforço mental que foi colocado nos textos acima, e mais incrível ainda como não se chega a lugar algum. Intelectuais tem alguma posição, ou se contentam em ser intelectuais? Penso que se a concentração da violência e gosto musical que tanto incomoda está mais concentrado nas classes D e E a solução é levar até eles a mesma educação e nível cultural oferecidos ao resto da população. Como fazer isso? Que pensem os intelectuais, enquantos os burros agem!

  8. Madson Says:

    A sociedade formam bandidos e reclamam da criminalidade, exigem educação e é dessa cultura que crescem nosso filhos. Relaxa na “P”bica! Mulher é igual a lata agente chuta e o outro cata, As novinhas não aguentam abre as pernas e relaxa, O índio virou canibal a Bruninha eu já comi e a Flavinha eu já peguei, Balança a garrafa de whisky e a perereca dela pisca, Rala a theca no chão, “B”voceta gostozinha, Balança o rabinho cachorra e sem falar nos gemidos que colocam nas suas “musicas”. Isso ensina seus filhos a crescerem canalhas e suas filhas cachorras, objeto sexual, lixo! Vivemos tempos difíceis e com problemas cada vez piores. As drogas avançando cada vez mais, a prostituição, estupro, gravidez na adolescência, doenças, criminalidade, assassinatos, tragédias, falta de educação… O incentivo das letras dessas “musicas” não ajudam em nada. Não estou discriminando os artistas baianos nem nenhum outro. Só que eles podem fazer sucesso com letras que não agridam a sociedade e incentivem mal os jovens. Esse é o futuro que querem para seus filhos? É balançando o rabinho que quer que a sua filha cresça e seja chamada de cachorra? Vocês estão prostituindo seus filhos, os filhos dos outros e depois colocam a culpa nas escolas e no governo que por sinal lucra com tudo isso. Quem curte e gosta dessa baixaria não tem amor próprio nem respeito pela sua família e assim muito menos terá pelas dos outros. Sexo, drogas, bebidas e violências nesses shows são cada vez piores. E seu filho uma hora dessa vai ta lá e você pode ser o próximo a sofrer as conseqüências. O mal vai bater na sua porta e nessa hora lembre-se que foi você mesmo que contribuiu para uma eventual tragédia ou decepção na sua família. Sofra as conseqüências e viva pra pagar cada centavo sem reclamar.

  9. Qualquer sistema de valores é igualmente válido? | Ghostless Machine Says:

    […] Uma das críticas mais preocupantes que recebi foi de estar “dando voz e argumentos a extremistas de direita”. Ora, se eu não estiver em um extremo eu tenho que necessariamente estar no outro? Certamente podemos encontrar uma solução melhor entre os dois limites. Poderíamos por exemplo categorizar o trabalho de alguns artistas específicos como entretenimento adulto e impor restrições à sua atuação, impedindo performances próximas de escolas, creches ou zonas residenciais como em alguns estados dos EUA (e é claro, impedindo, sua reprodução dentro das escolas). Essas são apenas algumas propostas que me vêm à cabeça em um rápido devaneio. Podem ser adequadas ou não, e podemos pensar em muitas outras, como foi o caso da deputada bahiana Luiza Maia, autora da lei que ficou polemicamente conhecida como “Lei anti-baixaria”. Mas o objetivo do texto não é esse. É algo mais urgente: questionar um paradigma relativista que paralisa o debate, para que aí sim, a sociedade esteja aberta a discussões e disposta a fazer propostas ao invés de se tornar defensiva e atacá-las como elitismo opressor como bem ilustram as reações à lei de Luiza (como essa). […]

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