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Invenções,

outubro 13, 2010

Escrever assim é como buscar uma cura, a tua própria cura, a cura mais efêmera para a dor mais momentânea, e nem por isso menos profunda, dolorida, corrosiva até. É como se, ao vasculhares o que te dói – e é verdade que a certa altura tudo te dói – houvesse lá no fundo, num qualquer canto escondido do ser, ali impassível, somente à tua espera: ela, a cura, esta impossível. Escrever assim é tentar encontrar o que nem os soluços, ao extravazar dissabores, trouxeram à tona. Escrever assim é uma atitude desesperada, é buscar a companhia que não há em noites como essas, é Nossa Senhora a chorar Seu Filho, é precisar perdoar o próprio destino. E mesmo que saibas que a tua dor é tal, a ponto de desconhecer tu mesmo tamanha amplidão, como desconheces o universo que miras e cujo fascínio te assombras, simplesmente por este, pela tua dor não caber em palavras, Escreves ainda, pois escrever assim é ter, de algum modo, Esperança.