Sobre a liberdade

Em desabafos que fazemos vez ou outra por aí percebo uma regra tão, mas tão provinciana (mais que a exaustivamente cantada “saudade da Bahia”, caso aleguem provincianismo n’algum senso de pertencimento neste mundo des-locado): É PROIBIDO SOFRER NA EUROPA, em letras garrafais. Tudo bem que a indústria de psicofármacos não concordaria exatamente, mas essa já é outra discussão.
Para a maioria das pessoas é  igualmente inconcebível você pouco se interessar em sair de casa, ou melhor, se você é diurno por eleição íntima e prefere não ir às “baladas”. Menos que isso; se você acha, por exemplo, que nada perdeu nelas até então. Os solidários (e nessas horas são muitos) logo ficam preocupados e te perguntam se precisas de alguma ajuda, por que é evidente que estás a sofrer de alguma patologia de humor. Ah, outra: você viajou e está na internet? Saia já daí! Tome energéticos coca o diabo e passe o dia, tarde, noite e – ufa! – se possível, também a madrugada na rua. Cansado em Paris, meu bem? Mas justo em Paris?! Pois aguarde as sanções dos turistas, dos jovens, dos espertos.
De fato, eu não vim aqui para “curtir todassss”, moro sem papai e mamãe há mais de três anos, já me libertei sexualmente, experimentei drogas, pratiquei pilates e agredi o mundo. Sei que o meu caminho me parece claro e não desviarei por pouco. Muito já é todo o percurso.

Nos encontramos em Amsterdã. Hasta luego!

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