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Proibiram que

julho 2, 2009

Pela primeira vez senti o efeito do “É proibido fumar”, ou melhor, de forma assim veemente, e logo onde aprendi a fumar: na mesa de bar. Ora, é bem verdade que fora precisamente lá onde aprendi, mas este hábito, não em termos de bem ou mal, acabou por se ramificar por toda uma existência, que lhe pedia somente um trago. O dono bar apostou, como bom sabedor das cousas, que a lei não vai vingar. A lei seca foi assim, ou não? Manchetes, repentina mudança de hábito: repentina e ligeira. A lei no mais das vezes se mostra uma grande mentira, espírito queer-anárquico diz. Portar cigarro de maconha e ser preso é uma mentira. Indústria farmacêutica derramar amostra grátis dos seus psicofarmácos é uma verdade, e das mais cretinas. O meu amigo foi preso por portar uma quantidade “inocentemente” mínima de cigarro-heterodoxo, e constava na sua catalogação criminal réu: fulano de tal, vítima: sociedade. Mas que sociedade é esta? Vítima do quê? Quem disse, quem fez a vítima? Cadê este sujeito sociedade que é vitimizado, esta substancialização da mais estúpida, e tão estrategicamente reivindicada. A sociedade o vê realmente como ameaça, o vê? É a sociedade que me diz informalmente que o filho da vizinha é “de boa, só fuma o baseado dele”, ou é a sociedade que o chama de “bróder”. Qual sociedade? Eu sou das margens. Eu sou margem.